Artaud foi encontrado morto agarrado a um sapato...
O último ato, ou um gesto desesperado diante da dor lancinante?
Uma imagem atordoante e brilhante de uma mente complexa.
Tentar criar uma imagem com um sapato não foi tarefa fácil.
O que mais um sapato pode ser além de sapato?
O que Artaud viu naquele sapato? Qual era seu objetivo?
Mas as mentes fluíram... Criaram... Permitiram ver além.
Ora um objeto de tortura, ora um objeto de prazer.
Tudo foi permitido, o surreal foi permitido e a troca de experiências, com suas limitações e expansões, nos permitiu ir além do que nossas mentes projetavam.
Ir além do racional, é o nosso ideal.
Para quê um sapato precisa ser sapato quando ele pode ser tantas outras coisas?
Tantas coisas... Atordoantes e brilhantes.
O último ato, ou um gesto desesperado diante da dor lancinante?
Uma imagem atordoante e brilhante de uma mente complexa.
Tentar criar uma imagem com um sapato não foi tarefa fácil.
O que mais um sapato pode ser além de sapato?
O que Artaud viu naquele sapato? Qual era seu objetivo?
Mas as mentes fluíram... Criaram... Permitiram ver além.
Ora um objeto de tortura, ora um objeto de prazer.
Tudo foi permitido, o surreal foi permitido e a troca de experiências, com suas limitações e expansões, nos permitiu ir além do que nossas mentes projetavam.
Ir além do racional, é o nosso ideal.
Para quê um sapato precisa ser sapato quando ele pode ser tantas outras coisas?
Tantas coisas... Atordoantes e brilhantes.
Vanessa Campuzano
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Essas são as palavras escritas em seu próprio sapato.
Durante toda a minha vida você foi o único capaz de me olhar de forma diferente ou quem sabe de forma igual, minha essência como realmente sou sem amarras capazes de romper e mostrar meu espírito cheio de inquietações e sofrimentos.
Só você com seus ''delírios'' e ''loucuras'' pode transformar um simples objeto em um ser capaz de dar proteção e deixar com que suas fantasias extrapolem o limite da imaginação e poder, o que é você para mim apenas e não menos importantes que a extensão da minha dolorosa vida.
Deixo para você com todo o meu ardor minha vida.
Danilo Carvalho
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Hospital Liyry
2 de março de 1948
Carta - foi encontrada pelo médico enfermeiro que atestou o óbito de Artaud.
Ao meu único , grande e melhor companheiro de todos os tempos .
Meu caro, como já nos divertimos por esse mundo afora , foram muitas viagens internas e externas.Quero lhe dizer que por toda essa existência nunca imaginei, que meu parceiro mais fiel seria você, sempre presente calado, solitário, neste momento me encontro aqui jogado nessa cama de hospital moribundo, mais ainda encontrei forças para lhe dedicar algumas letras .So você sabe de mim , meus delírios , minhas penúrias e pensamentos mais ocultos.
Quero com você meu caro viver o vão momento sendo que viver para mim neste momento que me encontro é bastante irônico vocês verão este corpo partir em pedaços para logo se recompor .
Deixo para você o meu legado , o que fui e o que não realizei para que faça bom uso bom uso desse conhecimento de um louco ou de grande grande gênio
Até lá...
Ângela Maria
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Me decompor, minha forma atual, decompor.
Me recompor, mil pedaços diferentes, recompor-me em mil pedaços diferentes.
Sou inteiro ou sou mesclado?
Sou inteiro como corpo; mas esse corpo é resultado de uma mescla de DNA'S.
O me quebra-cabeça montado pode parecer uma só peça, mas de perto, são várias peças encaixadas.
Tudo resultado de uma série de processos de desmontes e encaixes de peças compatíveis que possibilita uma infinidade de cores, imagens e filosofias; que muitas vezes não têm lógica alguma, complexas até para mim entender.
Mas mesmo não tendo lógica hoje e diante de um processo por vezes doloroso de decomposição, são as peças diferentes que cada um tem a me dar que enriquecem meu coração e que com certeza fazem de mim uma pessoa melhor.
Me recompor, mil pedaços diferentes, recompor-me em mil pedaços diferentes.
Sou inteiro ou sou mesclado?
Sou inteiro como corpo; mas esse corpo é resultado de uma mescla de DNA'S.
O me quebra-cabeça montado pode parecer uma só peça, mas de perto, são várias peças encaixadas.
Tudo resultado de uma série de processos de desmontes e encaixes de peças compatíveis que possibilita uma infinidade de cores, imagens e filosofias; que muitas vezes não têm lógica alguma, complexas até para mim entender.
Mas mesmo não tendo lógica hoje e diante de um processo por vezes doloroso de decomposição, são as peças diferentes que cada um tem a me dar que enriquecem meu coração e que com certeza fazem de mim uma pessoa melhor.
Vanessa Campuzano
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O último exercício proposto pelo diretor Luiz Paixão me pareceu o mais
difícil. Primeiramente pela minha ausência no último ensaio, o que
definitivamente fez decair o meu nível de rendimento e de reflexão sobre o
trabalho. A proposta era aliar o primeiro exercício corporal, uma
improvisação com inspiração na imagem de Antonin Artaud morto, agarrado a um
prosaico sapato, ao segundo trabalho (que eu perdi) que trabalhava com a
inspiração em um dos poemas de Artaud: * "Vocês verão meu corpo
atual partir em pedaços e se recompor sob dez mil aspectos notórios"*.
A proposta era coletiva, ou seja, tínhamos que produzir todos uma mesma
imagem juntos. Percebi que a turma estava muito satisfeita com o avanço que
tiveram ao realizar o segundo exercício e essa ansiedade acabou por dominar
a montagem da cena, fiquei empolgado. A nossa proposta foi propor uma
ligação do sapato com a decomposição do corpo, o que provocava uma explosão
de imagens.
Se teve algo de bastante positivo foi verificar que já não era mais a noção
de gesto realista que dominava a postura dos atores. Isso foi uma importante
conquista, pois é extremamente difícil trabalhar o corpo
não-realisticamente, colocando-o em condição de expressar o que está além do
gesto.
O exercício tinha tudo para ficar muito bem executado se não tivemos
atropelado etapas importantes durante o processo. Isso se deu pela nossa
animação em fazê-lo. Concentramos pouco no conteúdo da imagem e demos mais
ênfase na plasticidade. Não discutimos sobre as emoções que estávamos
tentando transmitir. Precisamos muito encontrar mecanismos para encontrar e
recriar essas emoções. A concentração da emoção era primordial para todos
nós.
Quando executamos o que havíamos planejado parecíamos estar perdidos. Se
éramos para funcionar como um organismo, cada um de nós ficou em seu lugar,
fazendo sua ação em separado. Eu mesmo não tinha a mínima noção do que
estava acontecendo ao meu redor. Isso comprometeu nosso trabalho já que eu
não comunicava com os outros atores. O pior é que diante da ansiedade de
realizar a cena, não combinamos como ela iria finalizar. E mais uma vez nos
perdemos, ficou tudo muito confuso.
No entanto acredito que a força da imagem que produzimos estava presente,
embora ofuscada pela falta de planejamento e ansiedade. A gente se saiu bem
trabalhando coletivamente, ouvindo e dizendo opiniões e propostas.
Enquanto eu executava minha parte eu sentia meu corpo doer por completo e
por isso não consegui fixar meu organismo em uma imagem estática. Quando
terminou senti que precisava de um trabalho corporal mais intenso e que me
proporcionaria o condicionamento físico necessário para estar integralmente
em cena. Que tipo de preparação será essa? Precisamos descobrir, o
importante é colocar o corpo em condição de desconforto, fixá-lo, forçar as
articulações e membros. Gostei da proposta de estudar os exercícios
corporais propostos por Jerzy Grotowski.
O Luiz apontou especificamente para mim a relação que eu trabalho com
surrealismo, falta de aparente lógica. Pensei bastante sobre isso e penso
que a construção das imagens que realizo estão marcadas por uma condição
fragmentária, resumindo: ando pensando imagens cinematograficamente. Mas
isso é algo pessoal demais que preciso trabalhar.
Corrigindo os problemas citados temos tudo para criar uma imagem à altura de
nosso engajamento. O trabalho está muito estimulante.
difícil. Primeiramente pela minha ausência no último ensaio, o que
definitivamente fez decair o meu nível de rendimento e de reflexão sobre o
trabalho. A proposta era aliar o primeiro exercício corporal, uma
improvisação com inspiração na imagem de Antonin Artaud morto, agarrado a um
prosaico sapato, ao segundo trabalho (que eu perdi) que trabalhava com a
inspiração em um dos poemas de Artaud: * "Vocês verão meu corpo
atual partir em pedaços e se recompor sob dez mil aspectos notórios"*.
A proposta era coletiva, ou seja, tínhamos que produzir todos uma mesma
imagem juntos. Percebi que a turma estava muito satisfeita com o avanço que
tiveram ao realizar o segundo exercício e essa ansiedade acabou por dominar
a montagem da cena, fiquei empolgado. A nossa proposta foi propor uma
ligação do sapato com a decomposição do corpo, o que provocava uma explosão
de imagens.
Se teve algo de bastante positivo foi verificar que já não era mais a noção
de gesto realista que dominava a postura dos atores. Isso foi uma importante
conquista, pois é extremamente difícil trabalhar o corpo
não-realisticamente, colocando-o em condição de expressar o que está além do
gesto.
O exercício tinha tudo para ficar muito bem executado se não tivemos
atropelado etapas importantes durante o processo. Isso se deu pela nossa
animação em fazê-lo. Concentramos pouco no conteúdo da imagem e demos mais
ênfase na plasticidade. Não discutimos sobre as emoções que estávamos
tentando transmitir. Precisamos muito encontrar mecanismos para encontrar e
recriar essas emoções. A concentração da emoção era primordial para todos
nós.
Quando executamos o que havíamos planejado parecíamos estar perdidos. Se
éramos para funcionar como um organismo, cada um de nós ficou em seu lugar,
fazendo sua ação em separado. Eu mesmo não tinha a mínima noção do que
estava acontecendo ao meu redor. Isso comprometeu nosso trabalho já que eu
não comunicava com os outros atores. O pior é que diante da ansiedade de
realizar a cena, não combinamos como ela iria finalizar. E mais uma vez nos
perdemos, ficou tudo muito confuso.
No entanto acredito que a força da imagem que produzimos estava presente,
embora ofuscada pela falta de planejamento e ansiedade. A gente se saiu bem
trabalhando coletivamente, ouvindo e dizendo opiniões e propostas.
Enquanto eu executava minha parte eu sentia meu corpo doer por completo e
por isso não consegui fixar meu organismo em uma imagem estática. Quando
terminou senti que precisava de um trabalho corporal mais intenso e que me
proporcionaria o condicionamento físico necessário para estar integralmente
em cena. Que tipo de preparação será essa? Precisamos descobrir, o
importante é colocar o corpo em condição de desconforto, fixá-lo, forçar as
articulações e membros. Gostei da proposta de estudar os exercícios
corporais propostos por Jerzy Grotowski.
O Luiz apontou especificamente para mim a relação que eu trabalho com
surrealismo, falta de aparente lógica. Pensei bastante sobre isso e penso
que a construção das imagens que realizo estão marcadas por uma condição
fragmentária, resumindo: ando pensando imagens cinematograficamente. Mas
isso é algo pessoal demais que preciso trabalhar.
Corrigindo os problemas citados temos tudo para criar uma imagem à altura de
nosso engajamento. O trabalho está muito estimulante.
Bruno Hilário